Digest 16/08 - Movimento de gigantes

Depois de uma alta na semana passada, o Bitcoin perdeu valor a partir da quarta-feira (14). Apesar da valorização do dólar, a criptomoeda chegou a ser negociada perto de US$ 9.500. A possível causa da queda de preço foi um imenso volume negociado por um esquema de pirâmide chinês.


Cotação semanal do Bitcoin. (Fonte: BitcoinTicker)

Na quarta-feira, uma fundadora da empresa de investimentos baseada em blockchain Primitive Ventures, Dovey Wan, especulou em seu Twitter sobre o grande volume de venda de Bitcoin da PlusToken, suposto esquema de pirâmide chinês, de US$ 3 bilhões. A PlusToken prometia aos investidores retornos de alto rendimento a diferentes porcentagens de desconto para seus quatro níveis de membro, o que configura uma estrutura clássica de pirâmide. Com isso, a empresa teria arrecadado mais de 201 mil BTC. A equipe principal da PlusToken foi presa pela polícia chinesa há dois meses, segundo o portal Webitcoin, mas os US$ 3 bilhões fraudados em criptomoedas não foram recuperados. Traders chineses estão especulando que um endereço desconhecido está despejando lotes de 100 BTC na Binance e que a ação está ligada ao caso da PlusToken.


Outro impacto negativo para as criptomoedas foi a afirmação da exchange Binance de que a Litecoin, quarta maior criptomoeda do mercado, sofreu um dusting attack (tentativa de quebrar a privacidade de uma cripto ao enviar quantidades muito pequenas de moedas para suas carteiras pessoais) na semana passada. A exchange anunciou o ataque através do Twitter e divulgou o link da transação suspeita que enviou uma fração (0,00000546 LTC) da criptomoeda para mais de 300 mil endereços. Uma análise da empresa de métricas e dados de blockchain Glassnode constatou que houve um ataque parecido em abril.


O mercado de ações argentino caiu bruscamente na terça-feira (13). O resultado inesperado das eleições primárias do último final de semana, no qual o atual presidente Mauricio Macri teve uma derrota chocante, fez com que o país entrasse em uma tendência à crise financeira. Com uma queda de 48% no principal índice de bolsa de valores da Argentina, analistas acreditam que o volume de negociações de Bitcoin do país pode subir nas próximas semanas, segundo o site Cointelegraph. Isso acontece porque a criptomoeda torna-se um porto seguro com a forte desvalorização da moeda nacional.


Variação do mercado. (Fonte: Coin36)

Mais um avanço na parte de regulamentação. O Bitcoin foi autorizado como pagamento de salários em nota emitida pelo Inland Revenue (IRD), autoridade fiscal da Nova Zelândia. Com isso, a Nova Zelândia será o primeiro país no mundo a legalizar o pagamento de salários em cripto. A regulamentação, que entra em vigor mês que vem, exige que a criptomoeda usada seja conversível a pelo menos uma moeda tradicional, como o dólar, e os impostos devem continuar a serem recolhidos pelo empregador e repassados ao departamento fiscal. Além disso, o funcionário precisa aceitar essa forma de recebimento e os valores devem ser regulares e fixos. Segundo o portal Quartz, essa regulamentação pode influenciar empresas na criação de novas moedas e inspirar outros países.


O Banco do Povo da China (PBoC) noticiou no “Fórum China Finance 40” que já podemos considerar sua moeda digital pronta. O vice-diretor do PBoC, Mu Changchun, afirmou que um protótipo que usa arquitetura blockchain foi desenvolvido com sucesso depois de cinco anos de pesquisa. A criptomoeda irá adotar um sistema operacional de dois níveis: um nível superior e os bancos comerciais em um nível secundário. De acordo com Mu, o sistema em duas camadas é o ideal para atender a “economia complexa do país com um vasto território e uma grande população”. A moeda, que ainda não tem previsão de lançamento, teria sido projetada para se adequar aos cenários comerciais de alta frequência de varejo de pequena escala.


Quem também planeja ter a sua própria criptomoeda é o Banco Central do Egito. A agência de notícias do oriente médio Al-Monitor anunciou que o BC do Egito deseja desenvolver sua cripto baseada no projeto da moeda digital Saudi-UAE, cripto desenvolvida em conjunto pelo Banco Central dos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita. Além disso, a autoridade monetária egípcia está cogitando permitir que a Libra, criptomoeda do Facebook, opere no país.


A Coinbase anunciou ontem (15) em seu blog a compra de parte dos negócios institucionais da Xapo, serviço de armazenamento de Bitcoins em um cofre físico sob uma montanha suíça, para se tornar o maior custodiante de criptomoedas do mundo. Com a nova aquisição, a Coinbase agora tem mais de US$ 7 bilhões em ativos digitais sob sua administração.


No cenário nacional, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) divulgou um alerta sobre um dos produtos da Atlas Quantum e suspendeu a operação da empresa. A Atlas não tem autorização para oferecer títulos ou contratos de investimento coletivo com remuneração atrelada à negociações com criptomoedas por meio do algoritmo Quantum. A empresa informou que seguirá operando com distribuição de rendimentos, saques e depósitos, mas respeitará a decisão da CVM e não ofertará arbitragem com Bitcoin.


A rede Banco24Horas anunciou ontem (15) que desenvolveu um sistema interbancário em blockchain. O diretor-geral da TecBan, dona da Banco24Horas, Jaques Rosenzvaig afirmou que o cliente é quem escolhe como usar seu dinheiro e cabe à empresa fornecer os diversos canais. Como informado por Rosenzvaig, a solução garante segurança e gera economia de 10 a 15% ao sistema bancário.



Opinião do Christian:

Litecoin deu azar e vai demorar um pouco para voltar. Apesar de vários movimentos macroeconômicos de impacto, o Bitcoin resistiu. Só não recomendo entrar agora pois o dólar subiu muito. Vamos esperar. Se o dólar cair e o Bitcoin ainda não tiver recuperado, é a hora.


Carteira do Christian:

(70%) Bitcoin: ∆ -11,98%

(30%) Binance Coin: ∆ -7,96%

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